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Fotos: Fátima Orsi


CIDADE

Um novo olhar para São Paulo

8 de abril de 2022

A Usina São Paulo permitirá enxergar a cidade e o Pinheiros por outro prisma: o local promete se tornar um novo cartão postal da metrópole

Desde 1940, a Usina Elevatória da Traição faz parte do cenário de São Paulo. Localizada exatamente na metade dos 25 quilômetros do canal do Rio Pinheiros, ao lado da Ponte Engenheiro Ary Torres, a Usina é parte de um grande equipamento de bombeamento de água, com projeto de 1928. Finalizada em 1940, ela funcionou até 1992, bombeando água para a represa Billings, aumentando a capacidade de geração de energia da usina hidroelétrica Henry Borden, em Cubatão. 

De 1992 para cá, a Traição continua bombeando a água da parte mais baixa do Pinheiros para a mais alta (há uma diferença de cinco metros dos canais inferior e superior do Pinheiros), e trabalhando no controle de cheias das águas dos rios Tietê e Pinheiros.

Mesmo com parte do seu uso alterado desde a época de sua inauguração, a Usina manteve em todos esses anos uma grande estrutura: são mais de 30 mil metros quadrados. Além do prédio com 35 metros de altura, que conta com equipamentos do tempo da sua fundação, a Usina da Traição tem em seu entorno galpões, oficinas, almoxarifado. Com o passar do tempo, muitos desses equipamentos deram espaço para novas tecnologias. Instalações menores foram incorporadas. Um exemplo foi a substituição da Estação Transformadora de Usina (ETU) – responsável por fornecer a energia que aciona os equipamentos da Usina, como o sistema de bombeamento, que ocupava a margem oeste em uma área de 4 mil m² – por uma nova subestação em espaço muito menor. Mais moderna em relação à ETU, a nova subestação, inaugurada no final de 2021, foi concebida no conceito de GIS – subestação isolada a gás, sistema que permite a redução do tamanho dos equipamentos e que, ao mesmo tempo, amplia a eficiência e confiabilidade de disjuntores e seccionadoras de alta tensão.

Além das mudanças na área envoltória da Usina, desde 2019 a região começou a passar por uma transformação ainda mais impactante: a limpeza do Rio Pinheiros. O Programa Novo Rio Pinheiros visa despoluir o curso d’água por meio de um grande projeto de saneamento básico, ações de manutenção, além da recuperação das margens com o apoio da iniciativa privada. Foram identificados cerca de 540 mil imóveis que jogavam esgoto direto no rio. A meta do governo do Estado é até dezembro de 2022 conectar todos esses imóveis ao sistema de tratamentos de esgotos da Sabesp. 

E é nesse cenário de grandes mudanças que surgiu mais um elemento de transformação para a região, a Usina São Paulo. O prédio de operações da antiga Usina da Traição dará lugar a um espaço revitalizado, que abrigará cafés, bares e restaurantes para acesso a todos os públicos. A laje do último andar do prédio, a 35 metros de altura do Pinheiros, receberá mais um andar para a instalação dos restaurantes, que terão visão privilegiada dos dois lados do rio – sentido Pinheiros e sentido Panamby. A expectativa é que no final de 2023 parte do projeto já esteja em funcionamento. “O rio é a grande força motivadora da Usina São Paulo. Os terrenos envoltórios da Usina, um com 10 mil metros quadrados, na margem leste (Vila Olimpia/Berrini), outro com 18 mil metros quadrados, na margem oeste (Morumbi/Cidade Jardim), possivelmente são os únicos, em toda a extensão do Pinheiros, imediatamente conectados à água. Certamente teremos em breve a oportunidade de aproveitar um deck à beira do rio”, acredita Thiago Nagib Hinkelmann Nedir, diretor presidente da Usina São Paulo.

Thiago Nagib: “O rio é a grande força motivadora da Usina São Paulo.”

 

O Consórcio Usina São Paulo venceu a licitação para implantação do projeto. Uma das primeiras ações do Consórcio (que tem como empresa sócia o grupo JHSF) será a retificação da curva da Traição, tradicional ponto de acidentes na Marginal Pinheiros. Além de melhorar o trânsito, a obra irá facilitar o acesso à própria Usina (que hoje se dá em uma curva íngreme à esquerda). 

Também há obras previstas para acabar com as erosões nas margens do canal. Thiago acredita que a Usina São Paulo irá potencializar uma experiência de relação dos cidadãos com o Rio Pinheiros, que já acontece com os usuários da ciclovia e do Parque Bruno Covas: “O rio já voltou a ter cara de rio. Não tem mais o mau cheiro que fazia os olhos lacrimejarem, nem a água preta. Ainda temos, especialmente nos períodos de chuvas, o lixo de superfície e a água mais turva. Mas o rio já está muito mais limpo do que em 2019 quando iniciou o processo de despoluição.” 

O prédio principal da Usina passará por um grande retrofit. Thiago reforça que a edificação, com uma área de dois mil metros quadrados, é muito bem conservada pela EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), proprietária dos terrenos e que tem a concessão de operação da Usina da Traição. “Além de ganhar um novo visual, abrigando uma área gastronômica em sua cobertura com acesso público gratuito, toda a fachada será requalificada, com elevadores panorâmicos. E será o único ponto da cidade dedicado a pedestres atravessarem em segurança o Pinheiros e de onde será possível enxergar São Paulo pelos olhos do rio.”

 

Cobertura receberá bares e restaurantes.

 

Aqui, vista para o sentido Pinheiros.

 

Thiago Nagib comenta que na época do lançamento da Usina São Paulo era comum a comparação com Puerto Madero, bairro revitalizado em Buenos Aires. Mas ele reforça que o projeto paulista está muito à frente do argentino. “A Usina São Paulo vem para melhorar a experiência do morador com um rio que foi por muito tempo esquecido”, diz. Sem dúvida o Pinheiros é um rio marcado pela poluição, o mau cheiro e o despejo indiscriminado de esgoto. Muitos poucos habitantes de São Paulo ainda se lembram de um rio navegável, limpo e usado como lazer pela população. Esperamos que a história tome um novo rumo em breve.

 

Projeção da Usina São Paulo. (Foto: Divulgação)

 

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